quinta-feira, 17 de novembro de 2011

SONHOS

Há pouco eu conversava com um senhor de barba, rechonchudo. Eu carregava uma criança em meu colo, alegre, saudável, muito esperta, que, assim como aquele senhor e eu, trajava vestimentas de época. O senhor colocava as últimas pedras no muro em frente à porta do imenso castelo. Logo após eu adentrar um enorme corredor, olhei para trás e vi muitas lanças despontarem no muro; também vi uma figura magra, maltrapilha, com movimentos absurdamente rápidos, a qual deu um golpe com uma lâmina naquele senhor e passou a vir em minha direção. Imediatamente pensei em proteger a criança, comecei a correr e pedir socorro gritando: “O rei está ferido, socorro! O rei está ferido, alguém ajude!”. O corredor estava meio escuro, não havia ninguém. No final do corredor e ainda olhando para trás, aquela “coisa” continuava vindo em minha direção, num movimento estranho e rápido. De repente uma moça surgiu de uma sala, me agarrou pelos braços e questionou o que acontecia. Não deu tempo de explicar, tive de puxá-la para não ser esfaqueada. Quando ela viu “aquilo”, gritou! Entregando o bebê a ela, disse: “Proteja o bebê, princesa!”. Foi quando desviei de um golpe de uma pequena faca brilhante em forma de meia lua, agarrei o braço daquele ser e depois envolvi sua cabeça com minha outra mão e esmaguei-a facilmente. Em minha mão vi um boneco, do qual saiu uma fumaça. Ficou muito claro para mim, então disse: “Magia negra”.
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Freud escreveu muitas obras. Os volumes IV e V intitulam “A interpretação dos sonhos”. Atenção: Interpretação diverge de significado. As pessoas confundem e sempre perguntam ao profissional de psicologia o que determinado sonho significa. Não é como aqueles livros de banca que simplifica, por exemplo: Sonhar com cobra é traição.
Realmente todo sonho possui interpretação, por mais estranho e desconexo que possa se apresentar. Convém enfatizar que sonhamos todos os dias, apesar de nem sempre lembrarmos, pelo fato de este fazer parte de um estágio muito profundo do sono.
De acordo com Sigmund Freud, o sonho, na maioria das vezes, é um “desejo reprimido”, mas também apresenta desejos, medos e muitos outros sentimentos relacionados ao sócio-histórico de um indivíduo. Esta manifestação do inconsciente acrescenta muito ao analista e ao setting terapêutico, pois, às vezes, é a forma que o cliente encontra de dizer ao analista aquilo que não está sendo capaz de verbalizar ou até mesmo, de enxergar ou aceitar.
Meu sonho faz sentido para mim: O muro de pedras e o humilde rei que o erguia. O bebê, a princesa, a penumbra e o corredor vazio, a magia negra...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

MEU INTERIOR

O meu interior é maravilhoso. Algumas pessoas criticam a pequena cidade, dizem que não existe emprego, faltam opções de lazer... Eu amo muito tudo isso!
No meu interior eu posso sentar-me à praça central, digitar este texto sem preocupação que meu notebook seja roubado. Ainda neste momento, posso ouvir os pássaros cantando, voando, brincando, se banhando na fonte.


Posso caminhar tranquilo, sentir a brisa e o ar puro tocar meu rosto, admirar pessoas fazendo caminhada. Qualidade de vida. Para alguns pode parecer um problema, mas acho interessante “todo mundo conhecer todo mundo”. Ainda durante a caminhada, posso cumprimentar a Dona Leonor, o Senhor Eduardo: “Bom dia!”. A educação do pessoal no interior é apurada, todos saúdam uns aos outros, seja com o tradicional bom dia, seja com um “tchauzinho” ou um simples tímido meio sorriso.


O cão passeia, corre atrás dos pombos e abusa do dono. As centenárias árvores dançam ao ritmo do vento, a mãe acompanha o filho com o velotrol, próximos do idoso e charmoso “coreto no jardim”.

O proprietário troca o cartaz do filme, no único cinema da cidade, o comércio abre e o sol também. Céu azul. No meu interior não existe poluição, não se vê altos índices de violência, não há milhões de pessoas (trombando em calçadas) controladas pelo tempo. Não faz parte do cotidiano sirenes de ambulância pedindo passagem.
Se eu quiser “lazer”, barzinhos, teatro, shopping... Tenho sempre a opção de ir às cidades vizinhas, onde poderei me divertir, mas ciente que voltarei... Para a terra onde canta o sabiá.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

KROMBAK

Duas cabeças, duas mentes, duas personalidades e um coração. Krombak era um majestoso dragão negro, nascido das chamas infernais através da ação de um anjo que sacrificou sua vida para dar alma à criatura que julgava merecer existir para os desígnios de Deus.
Um lado de Krombak era pura maldade. Outro lado era bondade. Não havia discordância entre eles, afinal, sabiam que ambos eram apenas um e que a morte do outro significaria a morte do corpo. Apesar de essências diferentes, viviam em harmonia.
A fera vivia em clausura, aprisionada por um bruxo maligno, o qual buscava a todo custo corromper o lado bom de Krombak. O objetivo do feiticeiro era usar a magia negra do dragão para aniquilar a bondade na Terra, tornando-a um lugar de domínio das trevas.
Após séculos aprimorando a poção, Zabrax - o bruxo, finalmente havia conseguido. Adentrou a fria masmorra para destruir a luz branca que constituía uma parte do dragão. Iniciado o feitiço, demônios voavam no ambiente, riam do lado bom que, sereno, apenas aguardava. Chamas negras se erguiam cada vez mais e envolviam somente a parte benigna da fera. O feiticeiro finalmente conseguiria dominar a Terra, se, o lado demoníaco de Krombak não se revoltasse, destruísse as correntes e devorasse o bruxo.
Os demônios fugiram, havia muita bondade para ser suportada e demasiado mau para ser controlado. Krombak estava livre! Livre para atuar, ser bom, ser mau, ser imparcial...
Ser como nós.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

OS SOFISTAS

A história nos presenteou com a filosofia. Celebridades como Aristóteles deixaram marcas profundas, continuidade de seu mestre Platão, discípulo de ninguém mais que o pai da filosofia: Sócrates. Este tem uma passagem que amo! Sócrates andava pelas ruas instigando as pessoas a pensarem, questionava “o quê?”, “para quê” e “por quê”. Abordava uma pessoa e perguntava, por exemplo, se ela era feliz. Após uma resposta positiva, o filósofo indagava à pessoa o que era felicidade e, após muito questionar os posicionamentos da pessoa, a mesma chegava à conclusão que realmente não sabia o que era a tal felicidade. O hilário desta história é que, quando o indivíduo se dava conta que não sabia, perguntava para Sócrates o que era e ele muito sabiamente respondia: Não sei, por isso estou perguntando! O pai da filosofia não pretendia ser sarcástico, apenas tentava tornar as pessoas seres mais pensantes.
Poucos são os registros sobre os sofistas. Foram “filósofos” que deixaram poucas marcas para que pudessem ser estudados criteriosamente. Sabe-se que tinham um dom. Os sofistas possuíam o dom de imputar pensamentos, opiniões e o que fosse preciso na mente de uma pessoa, faziam um ser acreditar que o certo era errado, que o errado era certo, que a “pedra não era uma pedra”. Acredito que podemos chamar tal técnica de manipulação. Tudo em nome de um bem maior: A moeda corrente.
Se trouxermos o contexto para os dias atuais, podemos constatar que muitos aplicam a técnica em várias situações, com o mesmo objetivo: Dinheiro! Manipulam as pessoas, imputam opiniões, ideias, fazem o mal parecer correto e o que seria bom, algo não tão ruim através de outro ponto de vista.

Sei que parece haver uma dramatização no parágrafo anterior, afinal, quem seria tão vulnerável ao ponto de não ter opinião própria? Seria um ser sem personalidade, manipulável como um fantoche? Acreditem, diariamente as pessoas atribuem conceitos ao outro com intuitos excusos ou simplesmente por que este é o seu mecanismo de funcionamento (dissimulado). De qualquer maneira, por um motivo ou outro, devemos nos atentar a isso, devemos ter filtros sofisticados para a identificação do sofista contemporâneo ou fazer uso dos tradicionais:

"O QUÊ?"   "PARA QUÊ"   E   "POR QUÊ?"

Ser você em tempo integral, em essência: Vital.


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O POESIA

"O POESIA" foi escrito por mim em 2004, em um momento iluminado onde consegui transcrever minha oração em forma de poesia:

...

Me sinto tão estranho, há um vazio dentro de mim
Me sinto de um lindo rebanho, o esquecido... lá no fim
Resolvi escrever pra alguém especial, contar como me sentia
Isso sempre me tira o mal, faz a treva virar dia....

É incrível como me faz bem, inexplicável poesia
Como se uma força do além, me curasse com magia
O prata vira dourado, o ar se torna vento
Tudo num simples traçado, que escrevo neste momento

Flutuo nas palavras, sinto a paz me dominar
Tiram-me as chagas, o vento que fora ar
Despreocupado que me leve, me entrego sem repressão
Já mais claro vejo a neve, que gelava meu coração

Com tanta luz a iluminar, olho o que me afligia
Eu em outro patamar, vejo o que eu não queria
Também vejo lá no fundo, algo à flores desabrochar
E tão grande como o mundo, passará a neve pra me alcançar

Este algo "esquisito", descobri o que seria
Ele é grandioso e bonito, e vai chegar um dia
Sei que a neve derreterá, quando Ele me disser: Sorria!
A partir de então serei feliz... Obrigado, POESIA!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

SEMENTES

Um dia pode ser iluminado, colorido, com brisa, onde há movimento: Dos pássaros, do cão que anda sem destino nas ruas, dos pequenos arbustos ou das grandes árvores por ordem dos ventos.
Ou... Um dia pode ser frio, monocromático, sem vida. Daqueles dias onde o movimento do corpo é comandado simplesmente pelo automático, onde não temos permissão para notar um mundo ao nosso redor.
Somos sementes. Somos o que plantamos, mas também somos as sementes que plantam em nós, somos a felicidade, a euforia, o sexo, a vontade, a luz, OU, a tristeza, o caos, a tormenta, a angústia, a depressão, a morte...
Devemos ser sábios na escolha daqueles que regam nosso jardim, que cuidam de nossas flores, que semeiam diariamente nossas terras.

Plantemos o melhor de nós e que o Senhor nos abençoe com sua Luz, permitindo que tenhamos as mais belas flores e colhamos os mais deleitosos frutos.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

CAUSO: FILA, FILHA DA GREVE

Afinal de contas, por que os bancos estão em greve? Se depender da divulgação da causa, já perderam, pois até agora não ouvi falar nada, apenas fui surpreso pelas muitas placas pregadas nas portas do bancos:

As reportagens sensacionalizam os prejuízos à população, geralmente mostram uma pessoa simples, amargurando o fato de não conseguir pagar a 16ª parcela do carro, feita em 60 vezes... Ou ainda um senhor que não sabe usar o caixa eletrônico, que aliás, por favor hein... Até os caixas eletrônicos da minha cidade estão em greve, eles deixam a mensagem: “Terminal em manutenção, procure a agência mais próxima.”. Neste momento não tem como deixar de questionar: Se faço um depósito no caixa eletrônico, quem contabiliza e lança o dinheiro se estão todos em greve?
Bom, pensando nos débitos automáticos da vida, resolvi ir até a lotérica para fazer um depósito na conta da Caixa e, sem surpresa, lá estava... A enorme fila, resultado da greve! Como não havia muito que fazer, já que greve não seria nada original, enfrentei a filha, digo, a fila.
Impossível seria não reparar nas figuras presentes, afinal, ia fazer o que, jogar sudoku? Na minha frente havia dois rapazes falando sobre o quanto eles não valiam nada nas ruas e ainda conseguiam ser bons profissionais... Registrei uma foto mental deles, em algum momento posso precisar do serviço! Seja qual for...
Tentando não ouvir a conversa dos dois, meio impossível já que falavam muito alto, voltei-me para frente e... SURPRESA! Vi o Cebolinha. Tá, não era o Cebolinha, era apenas uma verruga na nuca do rapaz com cinco fios simétricos...
Olho para a rua para tentar mudar de foco e vejo uma senhora passando e gritando “Ela adorou o carrinho, viu! Não vai precisar trocar! Ela adorou o carrinho!”. Muitas perguntas ficaram me perturbando: 1) Para quem aquela senhora gritava que dobrou a esquina e não alcançou ninguém? 2) Que menina ganharia um carrinho e “adoraria”? 3) Seria resultado de insanidade temporária devido à greve bancária...?
Mas, para finalizar com chave de ouro o “causo” de hoje, a melhor de todas as erratas foi quando uma senhora entrou na fila e um rapaz, muito simpático e apontando para o Caixa Preferencial, disse a ela: “Senhora, aquele caixa é de idosos”. E a senhora lhe responde irritada e em tom alto: “Eu não sou velha!”. Silêncio total! (Até dos dois que não valiam nada).
Constrangedor para ele, mas eu gargalhei por dentro! Ahuahuahuahuahua.
Causos da fila... Filha da greve.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A AÇÃO DE CADA DIA NOS DAI HOJE

Como é avassalador constatar que neste mundo em que vivemos a lei da ação e reação é mais que pregada, em um mau sentido.
Acredito que as pessoas deveriam fazer o bem sem olhar a quem! Mas... O que vemos são pessoas de muita ação quando lhes convém, aliás, há tanto empenho em saber manipular o jogo da vida que chego a me questionar se é a arte que imita a vida ou se é a vida que imita a arte! Existem tantas “Nazarés” por ai, em meio à multidão, prontas para empurrar mais um escada abaixo, se necessário.

Infelizmente não tem como descobrirmos quem é quem, são como os fictícios vampiros, estão em meio ao povo, camuflados entre as pessoas de bem, às vezes sugando-as devagarinho, pouco a pouco, sem que o indivíduo note, apenas esperando o momento certo para lhe secar o sangue.

Vamos casar o jargão popular “Que vantagem Maria leva?” com o ditado “Erva ruim geada não mata”. Pronto: “Estamos fodidos e mal pagos!”, afinal, vamos combinar que estes nem merecem viver tanto?! Sinto muito a quem discorde, mas essas pessoas vivem em função de perseguir e invejar a conquista alheia! Pergunto: para quê??  Porque deseja uma “vida melhor”, status?
E... Indago:
O que levarás desta terra?
Qual teu odor quando estiveres em estado de putrefação?
Consideras importante que muitas pessoas orem para ti neste momento?
Enfim, que ação de cada dia nos dê hoje. Amém!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Homofobia

Gostaria de, como de costume, escrever e descrever o quanto foi prazeroso trabalhar com os alunos do 9º ano que decidiram e idealizaram a produção de um "comercial" contra a homofobia. No entanto, não quero que o brilho deste projeto seja ofuscado, de qualquer forma. Que seja exclusivo, pois merece! Segue o trabalho para apreciação, ainda em fase de construção:

video

terça-feira, 4 de outubro de 2011

EDUCAÇÃO - ESCOLA x PAIS

Vivemos em um mundo onde mal temos tempo de ter tempo! Quem consegue sair de casa hoje com antecedência para ir ao trabalho? Quem consegue fazer as refeições saudavelmente em seu lar? “Correria, correria, correria”. 
Logo, por conveniência ou praticidade, terceirizamos tudo!

As crianças, por sua vez, vivem seu momento, sua fase! E é assim que tem de ser... Momento experimentação, fase vivência e descobertas... 
Mas e a educação dessas crianças, a quem cabe? Observo que há uma discordância entre o que deve ser e o que é feito, entre pais e professores. Os professores acreditam que o trabalho deles é alfabetizar e, como seria impossível não fazer, transferir alguns valores e princípios de si... Os pais desejam mais, tenho a impressão que anseiam a educação para uma vida a seus filhos. Por falta do dito “tempo”?
Professores antigamente eram muito bem remunerados. “Quando crescer, quero ser médico, advogado ou professor”, santo tempo! Nessa época, os pais tinham o professor como mestre e pelo título, era considerado e respeitado. Atualmente, os professores recebem menos do que merecem, não tem condições dignas (espaço fisco e material) de trabalho, não tem, na maior parte das vezes, apoio dos pais, logo, mal tem o respeito dos filhos, seus alunos.
Já pararam para avaliar a vida de um educador? Existe um conteúdo programático a ser desenvolvido e entregue à escola. Além disso, ele prepara as aulas em sua casa, passa horas em pé repassando às crianças, atendendo-as, cada uma em sua singularidade, tempo e dificuldade. Prepara avaliações, projetos, provas de recuperação e as corrige, comumente, aos fins-de-semana, enquanto a maior parte da comunidade escolar descansa. Além de tudo isso, ainda querem incumbir ao mestre (dos magos?) a tarefa de ensinar a respeitar ao próximo, ser bom aluno, bom filho, bom neto... As exigências nas escolas estão cada vez maiores para que os professores assumam essa responsabilidade, mas, quando em necessidade extrema o professor assume a função dos pais e toma alguma atitude, se for desaprovado pelos pais... “Quem esse professor pensa que é para censurar meu filho?”.
Pais exigem que seus filhos sejam “100%” educados, mas de acordo com suas ideologias.
Falta. Falta compreensão para a complexidade que é o desenvolvimento da vida da criança, em sua maior parte pelos pais. Realmente não existe como dissociar os ensinamentos, pois professores, como disse anteriormente, vão repassar seus princípios aos alunos e é essa a contribuição que ele pode dar. Aos pais, resta moldá-los com seus próprios valores e cultura, respeitando sempre o mestre, que nunca existiu para subtrair, mas para somar.
“Educação é aquilo que a maior parte das pessoas recebe, muitos transmitem e poucos possuem.”

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

TEMPO, O RELATIVO...

Idade cronológica, idade física, idade mental... Que idade as pessoas tem afinal? Teria como fazer um máximo divisor comum e chegar a uma conclusão? Ter quarenta anos de idade, aparência de trinta e sentir-se com vinte, é normal?

Este fim-de-semana foi aniversário de um amigo que serviu o exército comigo, há doze anos. Completando trinta e um anos de idade, ele comentou que não sentia ter a idade que estava completando. Fato! Se analisarmos que a expectativa de vida aumentou e que a qualidade de vida, hoje, é outra... Sim, somos jovens por mais tempo! Jovens física e mentalmente.
Até pouco tempo atrás, década de 60 ou 70, as pessoas casavam-se aos dezesseis, dezoito anos de idade e constituíam família... Acho que faziam isso porque a expectativa de vida não passava dos sessenta anos de idade. Vamos combinar, uma vida relativamente curta (e chata!). Atualmente, com este aumento na expectativa de vida, jovens na faixa etária citada estão estudando, viajando e projetando casamentos para a casa dos trinta anos, pois esperam “aproveitar a vida” e estarem estabilizados financeiramente.
A globalização, a internet... Tudo subsidia para que as pessoas tenham essa melhor qualidade de vida...
Há muito de bom na questão debatida. Vivemos mais e melhor! No entanto, e este é o “X” da questão, existem pessoas que se escravizaram para evitar o envelhecimento físico, não aceitam a idade que tem e se recusam a responder a simples pergunta: "Quantos anos você tem?" Há quem minta tanto que passa a acreditar na própria mentira. Isso é perigoso.
Em minha opinião a idade cronológica é a que menos importa. Existem pessoas que são jovens, na casa dos vinte, mas são frias, pobres de espírito, mesquinhas... De espírito tão velho e retrocedido que são impedidas de ver o melhor da vida!
Mas... Existem aqueles que, na casa dos setenta, são ativos, fazem tudo o que lhes é possível fazer, amam (e se amam, principalmente) e respeitam o próximo... Serão eternamente jovens, por dentro!
Não existe idade cronológica. Existe aceitar-se ou não e um determinado modo de sentir a vida. O tempo é relativo, nunca é tarde para começar algo. Para os que sentem a vida, o tarde só existe morto.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

BULLYING

Vamos falar de modismo! Surpreendente como se fala de Bullying atualmente, sendo que até pouco tempo atrás o nome do momento era “hiperatividade” e, antes disso, “déficit de atenção”. Não que estes problemas escolares não existiam ou existam, bem pelo contrário, existem sim e são presentes há muitas décadas! Apenas não tinham recebido nomenclatura.
O fato é que virou moda especular temas do gênero. Se o assunto é déficit de atenção: “Meu filho tem déficit de atenção”. Se o assunto é hiperatividade: “Pronto, solucionado o problema do meu filho, ele tem hiperatividade!”. Agora é Bullying...

No início do meu curso de psicologia eu estudei este assunto, e olha que não era dos mais recentes, recordo-me que a Doutora Simone Meyer citou tratar de um fenômeno estudado na Noruega na década de 70, sendo assunto dos estudiosos brasileiros a partir da década de 80, ou seja, faz mais de 40 anos que estudam o assunto e, hoje, é o assunto do momento: “Chamaram meu filho de gordo na escola! É Bullying!”.
Para os leigos no assunto, uma breve explanação para que compreendam o conteúdo do texto: Bullying é um conjunto de comportamentos agressivos, repetitivos e intencionais, adotado por um ou mais alunos contra outro(s), sem motivação evidente, causando dor, angústia e sofrimento (basicamente).
Como puderam analisar, para que um indivíduo possa ser vítima de Bullying, este tem de sofrer REPETIDAMENTE as agressões, sejam verbais, físicas ou psicológicas. No entanto, devido ao modismo e ao amplo mercado que se abriu a partir da questão, qualquer xingamento deferido a qualquer pessoa recebe o título BULLYING. Generalização, banalização, depreciação...!
Estão vendendo o Bullying! Bullying em forma de livro, de CD, de história em quadrinhos, de palestras, em telejornais, revistas... Capa da semana: “Bullying! Veja como este menino se livrou da perseguição na escola! E mais, exclusivo: Atriz famosa declara ter sofrido Bullying no colégio por ser obesa, descubra quem é na página 10”. E lá está mais uma esquecida atriz, magra e photoshopada, tentando se auto-promover e voltar para a mídia.
E não é inacreditável como as pessoas compram modinha? Em roupas, nas dietas milagrosas (da sopa, do abacaxi, da ração humana)... Também compram ideias. O problema, como já disse (ou insinuei?), é a deturpação e a banalização dessas ideias. É fundamental que as pessoas busquem conhecimento, informação e deixem de comprar ideias prontas!
Seu filho não sofre de Bullying! Apenas o chamaram de gordo porque ele está acima do peso! Pare de mandar iogurte, bolacha recheada, fandangos, chocolate e outras porcarias nada saudáveis para o lanche no intervalo do colégio, que, certamente, será um enorme passo para uma mudança do seu filho, da postura dos amigos para com seu filho e, principalmente, da sua postura quanto vítima secundária!
Mais informação e ação. Menos modismo... #Ficaadica.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

FELICIDADE...

Quando a alegria tomar conta do teu ser, da tua alma...
Não questione aos céus, ao universo, a ninguém...
Simplesmente sinta-a e desfrute cada milésimo de segundo...
"Estar feliz por si só é a forma plena de felicidade!"
Compartilhe, divida... Multiplique!
Grite aos próximos em forma de oração...

Aproveito esta "coisa" boa, esta vontade de viver e compartilho o link de um vídeo que produzi a algum tempo... Have you ever seen the rain?



Forte abraço e feliz quarta a todos!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

DIREÇÃO NO INTERIORZÃO

Quem reclama do trânsito nas cidades grandes, não sabe o que é dirigir no interior do Estado de São Paulo. Se nas metrópoles o problema são os congestionamentos em horários de pico, analisem a situação, em período integral, de quem se arrisca no trânsito interiorano:
Há coisas que só quem vive em cidade pequena vê... E só vendo para crer! Alguma vez vocês foram impedidos de seguir por ter uma charrete na sua frente? E uma charrete com som? Do tipo que toca muito alto aquele sertanejo depressivo, cuja letra se refere justamente à sua triste e recente história? Pior que não conseguir ultrapassar o largo obstáculo que ocupa a rua, é chorar no volante e ter que ligar para o terapeuta para retomar a terapia.
Diferente dos OVNI’s, os “objetos” no interior são bem identificáveis! Além do exemplo citado acima, temos o(s) cavalo(s), o(s) boi(s)... O ciclista! Por que ciclista acha que tem direito a trafegar na contramão? E por que o indivíduo na bicicleta acha que tem direito a vagar na frente dos carros em zigue-zague como se fosse imortal? Ou são camicases ou são malucos que pensam que estão dirigindo carro! Desculpe, mas nas vezes que dirigi em São Paulo, não vi nada do tipo, e olha que eu observo hein!
Mas é claro, não podemos deixar de citar os pedestres! Ah! Os pedestres! Alguém explica para eles que os riscos brancos paralelos na esquina foi batizado de FAIXA DE PEDESTRES, justamente em homenagem a eles? É incrível como o famoso circular para no ponto e, justamente quando você vai passar do lado, aparecem cabeças de trás do ônibus observando se está livre para atravessar a rua... E geralmente estão puxando as crianças, a próxima geração que crescerá desconhecendo a tão desprezada faixa.
Então ponderem comigo: Certo dia você acorda atrasado e segue para o seu trabalho, no caminho você desvia de um cavalo, de um boi, (ou de um boi perseguindo um cavalo [não duvidem]), aguarda enquanto o cara da frente resolve o problema mecânico de sua bicicleta, ao ver o circular, você se adianta e já dá uma buzinadinha para alertar as cabecinhas que certamente aparecerão, mas... Trava na carroça com som! Você para, respira, chora ouvindo a letra, aguarda e segue... No quarteirão do seu trabalho você vai procurar uma vaga para estacionar:
“Aqui não, vaga para deficiente... Aqui não, vaga de idoso... Aqui não, vaga para moto... Aqui não, carga e descarga... Aqui não, é garagem... Aqui não, porque guardaram a vaga com cones... Aqui não, porque o cara simplesmente resolveu pintar a guia em frente ao comércio dele de amarelo...”

○!◙#¤!ῳ?ٍ&(!Ѡ§¤?#/°$¨!  #Quando vão inventar o teletransporte?

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

BONS x MAUS COSTUMES

Interessantíssimo o quanto os valores e costumes mudam, os bons e os maus! Valores e princípios norteiam nossa infância através de nossos professores, padrinhos, tios e outras pessoas importantes de nosso círculo familiar... O problema, no meu ponto de vista, é que está havendo uma inversão de valores e uma perda dos bons costumes.
Na escola, toda vez que a diretora entrava na sala de aula, todos os alunos levantavam-se e desejavam em coro um “bom dia Dona Regina!”. Não me recordo de alguma vez ter feito isso com má vontade, acho que porque já fazia parte da rotina o respeito àquela figura importante. Acredito que aí já adquiríamos o respeito à hierarquia, tanto usada em todos os âmbitos da vida.
Ainda no colégio, antes de entrar em sala de aula, cantávamos o Hino Nacional com a mão no peito e não era permitido o uso de bonés... Respeito à Bandeira Nacional e hino na ponta da língua também eram importantes na década de 80. “Em teu seio pessoal... não em teus seios...”, apontava a professora.
Após um dia atarefado na escola, ao chegar em casa, as obrigações para com a família também tinham de ser rigorosamente cumpridas. Exigência imposta pelo olhar-advertência de minha mãe.
Eu tinha uma tia andarilha, do tipo rebelde que optou pelo mais difícil na vida em nome de um “amor”. Vez ou outra ela ia até a minha casa para tomar café com as crianças e, toda vez que ela chegava, tínhamos que beijar sua mão direita e pedir-lhe benção.  Meus irmãos e eu não gostávamos muito, afinal, ela não lavava as mãos e, acho, sequer tomava banho. Mas beijávamos, fazíamos fila e pedíamos a “bença”, assim como seus vários filhos faziam com a minha mãe... Mas minha mãe lavava as mãos sempre, rs.
O que quero dizer é que por mais que não gostássemos de algo, ou tivéssemos que fazê-lo por “obrigação”, fazíamos! E não morremos por isso! Não olho para trás e vejo como algo ultrapassado ou como “coisa de gente antiga”, como dizem por aí! Bem pelo contrário, todos os meus irmãos cresceram, estudaram, tem trabalhos dignos e acredito que seja devido à capacitação que a boa educação, valores e princípios nos reservaram.
Engraçado, senão triste, como os valores são inversos hoje em dia. Os alunos não pedem sequer licença pra entrar em sala de aula, não obedecem ao professor... Levantar-se então para o diretor ou coordenador, nem em sonho! Isso tudo é taxado por muitos como brega, antiquado e adjetivos do gênero. Mas xingar o professor, não cumprir o dever, não saber cantar o próprio Hino do País, tudo isso parece normal no século XXI.

Benção? O que é isso? Talvez repetir a questão: “Respeito, o que é isso?”
Até quando enterraremos os bons e velhos costumes? O que mais precisa acontecer para que haja uma mudança de postura? Uma criança armada atirar nas costas de um professor e se matar? Ah, não... Isso já aconteceu...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

NÃO GOSTO DO FUTEBOL

Não gosto do futebol. Ok! Talvez não tenha me expressado direito. Quando digo que não gosto de futebol, não me refiro à arte do esporte, mas sim, ao comércio e à fixação das pessoas que possuem a capacidade de tornar algo belo em horrendo.
O Brasil é mundialmente conhecido por este esporte, que hoje, é mais que uma religião, pois os pais batizam a criança desde o berçário com uma roupa do time do coração. Batismo na igreja demora um pouco mais ou, em alguns casos, fica pro adulto decidir mais tarde qual quer seguir.
O que discordo plenamente e o ditado “tudo é ruim em excesso” me apóia, é com o que fizeram com o futebol. Futebol comércio! Venda de camisas oficiais a valores exorbitantes, venda de ingressos para jogos a preços surreais, mesmo para aqueles que já pagam o tão famoso Clube, se for no camelô então, ingresso ao triplo do valor (e alguém tem dúvida que parte dos ingressos já é reservada para estes?).
Futebol profissão. Ótimo. Alguém pensa em conquistar com trabalho o dinheiro que um jogador de futebol profissional ganha em sua vida? Considero um erro os valores pagos à estes profissionais, que diferente dos torcedores, não estão ali pela camisa, e sim, pelo Clube que melhor paga, tanto faz se brasileiro ou internacional. Professores, base de tudo, são mal pagos, desvalorizados e não possuem sequer, na maioria dos casos, condições de trabalho.
Mas o pior de tudo é o futebol torcida. Cada um sabe o que faz com seu dinheiro, mas receber pouco mais que um salário mínimo, gastar com camisa do clube, boné, chaveiro, meia, adesivo pro carro, bandeira, comprar ingresso pro jogo e, no estádio, ao ver o time perder, quebrar tudo e com os pedaços agredir o adversário até a morte, sem avaliar que aquela pessoa é pai, filho, namorado ou marido de alguém, um ser humano... Um ser humano!
Os jogadores? Estes não estão NEM AÍ para o que aconteceu, “FODA-SE”. Eles perderam, mas receberão o mesmíssimo merecido salário. No máximo darão entrevista e, cheios de erros de português e concordância verbal, pela má qualidade do ensino que tiveram (se tiveram), dirão que “abominaram o ocorrido”.
Ok! Talvez tenha me expressado direito no início do texto: Não gosto do futebol.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

SELENA - PARTE II

Ding-dong. Alguém abriu a porta. O tempo parou, não se ouvia os pássaros, pessoas, carros ou sequer o vento, tudo emudeceu. Selena não sentiu sua respiração, seu coração acelerou, seus olhos estagnaram em alguém que fez o mundo girar mais devagar. Selena em pé na frente de um rapaz, belo, estatura mediana, moreno claro, olhos verde água, cabelos castanhos com um corte rebelde, estilo moicano, braços e peitorais fortes. O rapaz em pé, na frente de Selena. Nenhuma palavra, apenas olhares fixos, uma troca de energia, uma chama que preenchia o frio interior da bela sonhadora. Selena estendeu os braços, não disse nada, apenas estendeu os braços, pois não conseguiu projetar uma palavra. O rapaz estendeu os braços, seus olhos ainda se penetravam. Ele pegou a oferta e suas mãos se tocaram levemente, seus corpos se imploraram naquele momento. Selena virou e andou, apenas andou, não correu, fez a única coisa que conseguiu idealizar no momento. Passos firmes, um pé, depois outro... Assim foi até entrar em sua casa, trancar a porta e ignorar sua mãe que, movimentando os lábios e fazendo muitos gestos, não era ouvida. Ao entrar em seu quarto sentiu o ar voltar a seus pulmões, respirou profundamente, como se tivesse sobrevivido a um quase afogamento, o mundo voltou a emitir sons. Tudo havia voltado a um estranho normal, seu quarto ainda era o mesmo, mas tinha um colorido diferente, especial. A releitura de Monalisa na parede parecia sorrir mais, o ar tinha um estranho clima de chuva, daqueles ares agradáveis que a memória guarda de momentos bons... Selena se viu envolvida por um sentimento até então desconhecido: A paixão!
Sábado à noite. Como tantos outros a jovem ignorou o pedido das amigas e resolveu ficar em casa, desta vez, por um motivo mais especial, queria observar pela janela e descobrir o que pudesse sobre a pessoa-visão que teve naquela manhã.
A campainha toca repetidamente. Selena se irrita, pois ninguém atende à porta. Teriam todos saído sem avisar? Contrariada, desceu as escadas e ao atender à porta: Felipe! Disse o belo rapaz com um olhar sedutor. Selena! Retribui a garota sem muito pensar. Após alguns segundos de silêncio, Felipe lhe entrega a bandeja e agradece em nome de seus pais a gentileza pela receptividade. Sentindo a espontaneidade do garoto, Selena sorri e responde que não havia sido nada demais, já que era hábito de sua mãe preparar torta para recepcionar bem “novos vizinhos”. Mesmo não sendo verdade, foi a única resposta que lhe veio. Para quebrar mais um silêncio que se estabelecia, Felipe perguntou se ela conhecia os locais frequentados por jovens da idade deles naquela cidade, já que não havia mudado apenas de cidade, mas sim, de Estado, tendo vindo de São Paulo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

SELENA

Selena era uma bela jovem, pele branca e suave, cabelos negros e lisos herdados de sua elegante mãe. Seus olhos eram cor de mel, mas às vezes, principalmente nos dias frios do forte inverno que fazia no sul, ficavam levemente esverdeados... Sua boca tinha um contorno provocante e fazia jus ao corpo adolescente inteiramente delineado. Apesar de, aparentemente, possuir tudo (que uma família estruturada de classe média alta poderia oferecer), a garota tinha olhos tristes, um olhar vazio a exteriorizar o vazio que era o seu coração. Apesar de ser a menina mais desejada de seu colégio, Selena não olhava para os meninos com recíproca no interesse, pois possuía ideais, valores únicos que faziam dela alguém muito especial, era a única virgem de seu seleto grupo de amigas. Ao contrário do que algumas pessoas disseminavam, Selena não era lésbica, apenas acreditava no amor a primeira vista, na atração do primeiro olhar, na certeza dada somente pelo seu coração que “aquele” seria seu príncipe encantado! Aquele que lhe permitiria o seu “Felizes para Sempre”.
Era fim da manhã de um sábado. Não era habitual barulho na rua de sua casa, logo, a garota levantou-se de sua cama para averiguar o que estava acontecendo. Ao sair para a varanda de seu quarto, notou que uma família estava a mudar para a casa ao lado, o que a princípio pareceu estranho, já que ninguém nunca nem cogitou que o senhor e a senhora Stiegel tinham interesse em vender a charmosa casa amarela. Debruçada observando a movimentação, assim como tantos outros vizinhos curiosos, Selena reparou em um homem de jaqueta de couro chegando em uma bela moto e adentrando a garagem. Devia ser o novo proprietário, pensou a bela jovem.
Após um banho de espuma com sais em sua banheira, hábito (quase um ritual) de todo despertar aos sábados, desceu para o desjejum com seus pais e assustou-se com a abordagem eufórica de sua mãe com a novidade de vizinhos novos. Euforia tamanha, que ela mesma, na ausência da doméstica, havia preparado uma atraente torta de boas vindas para os misteriosos novos vizinhos e, sem sobreaviso, anunciou à filha que ela entregaria o “mimo”. Assustada com a inusitada novidade, disse à mãe que não poderia atender ao seu pedido, já que a timidez não lhe permitia sequer imaginar presentear um estranho com uma torta, completando que culturalmente ela só havia visto o feito em filmes norte-americanos. Vinte minutos depois, saia Selena com a torta delicadamente decorada em uma bandeja rumo à casa amarela. Sua mãe possuía argumentos que apenas mães possuem.
Ding-dong. Soprando a franja que caia em seu rosto, pensou: “O que estou fazendo aqui?”. Ela não se questionaria se soubesse que o destino estava a segundos de revelar através da porta a sua frente, a pessoa que lhe traria a mais mágica experiência de sua vida...

 

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O PEIDO

Há muitas restrições acerca de um assunto tão simples como o peido, por quê? Por que falar de peido incomoda tanto as pessoas, se rende horas de assunto e muitos risos? Ou vai me dizer que nunca jogaram o tema em uma roda de amigos e quase explodiram de rir com o tema? Todo ser fisiologicamente completo faz as necessidades fisiológicas e os gases fazem parte do processo. A não ser o carrapato, há quem diga que nem c* ele tem! Mito ou verdade? Amigo Gooogleeeeeee!!! Um minuto depois, após pesquisa, acreditem, carrapato não tem mesmo c* kkk, quanta infelicidade! Não poder ter a cumplicidade consigo mesmo de soltar um pum e olhar pros lados pra ver se alguém está olhando, não poder aliviar a tensão e culpar a pessoa próxima, não experienciar as várias espécies de puns existentes. Este “animal” foi amaldiçoado! Teria a história errado? Seria o carrapato culpado por Eva morder a maçã? É para se pensar...
Existe uma variedade de peidos, dos quais posso citar alguns:
Há o peido comum, expelido com menos força. Geralmente é ouvido em grupos nos quais as pessoas ainda não tem intimidade para peidar.
O peido nervoso, expelido em locais onde a pessoa não quer que seu peido seja ouvido (livrarias, supermercados, trabalho, etc) são geralmente controlados, baixíssimos e requerem muita destreza para domínio da técnica.
O peido tossido acontece quando o praticante tenta encobri-lo com tosse. Meu falecido tio soltava frequentemente esses peidos quando trabalhava no bingo da minha cidade. Ele ia para o fundo da sala e tossia simultaneamente. No entanto, esta arte também exige técnica, pois o "timing" tem de ser perfeito, senão pode ocorrer do peido ser mais longo do que o esperado.
O mais perigoso, na minha opinião é o peido molhado. Este possui um som aquoso. Geralmente é sinal de que algo está para acontecer e que uma visita ao banheiro é necessária. A variante "melada" indica que já é tarde demais.
Então amigos, vamos nos livrar das amarras do preconceito e falar abertamente sobre este assunto tão normal e natural. Mais! Vamos praticar e aprimorar a técnica, vamos nos permitir! Sentirmo-nos livres para livrarmo-nos do eu interior... Sem medo de sermos felizes.
Peido seco ou molhado
Cheiroso ou não
Em pé ou de lado
Brisa ou furacão
Solte o belo, que tapem o nariz
Cheirou caramelo, como sou feliz!
FIM :D

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

PULGOLÂNDIA

Algumas pessoas gostariam de ser leões, pois são imponentes, ferozes e reis da floresta. Outras pessoas desejariam ser águias, pois são predadores de visão, fortes, cujo céu é o limite. Eu gostaria de ser pulga!


Ok! Concordo que não é o mais bonito e que não parece normal, também, desejar sê-lo. Se meu professor de psicanálise me ouvisse dizendo isso, certamente diria que tenho desejo de não ser notado pelas pessoas. Bom, talvez seja. Mas vamos combinar que ser imperceptível para os demais seria muito interessante? Não imperceptível ignorado, e sim, não visto. Quem nunca desejou ser uma mosca para estar em determinado local, observando determinada situação? A diferença entre optar por ser mosca, é que você corre o risco de ser eletrocutado por uma daquelas raquetes elétricas; ou levar um tapão; ou ainda ser pego pelas asas por uma teia perdida e ser devorado por uma aranha. Argh! Prefiro ser pulga.
Pulga é um inseto minúsculo que sofre bullying a vida toda. É tachado de parasita! Bom, se grudar em algo e sugar para sobreviver é ser parasita, o que são nossos políticos? Se eu fosse pulga moraria em um político. “Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”. Parasita que suga parasita, bom, deve viver eternamente...
Eu queria ser pulga e criar uma gigante comunidade Pulguense, logo, levando-se em consideração que quero morar em um político e criar uma sociedade, acredito que o ideal seria morar na cabeça da Dilma. Já imaginaram como seria?
- Pica a Dilma, pica a Dilma, filho!
- Ih pai, acho que ela não gosta de levar picada.
O bom de ser um tachado parasita, é que podemos, como as borboletas e abelhas, disseminar os "pólens"! Mas de forma bem dirigida, pega o tifo aqui, leva pra alguém que a gente adora ali... Pega a peste bubônica aqui e dá de presente de natal para outro alguém que merece, não seria lindo?
 Fala sério, ser pulga seria, simplesmente, o máximo! E para não ficar cansativo, encerrarei com um poema da minha utópica Pulgolândia.
Pulgolândia querida, terra desejável
Cidade sem subida, mas de movimento instável
Sociedade sem sul ou leste, ladeada de muitos fios
Peguem ali aquela peste, e levem pra Miryam Rios
FIM :D

sábado, 10 de setembro de 2011

CARTA DE UM RICO

Eu sou rico! E quando digo rico, não me refiro, como os tolos, à saúde, refiro-me a um padrão de vida alto e muito, mas muito dinheiro nos bancos, ok? Saúde eu compro com dólares. Quem acha que dinheiro não compra felicidade é porque não o tem! Eu tenho. Ter para mim é poder e entenda como quiser.
Tenho empresas e muitos empregados. Não me refiro a eles como funcionários mesmo, são empregados, pessoas que estão ali vendendo seu tempo, suor, vidas a troco de alguns trocados. Se os trato bem? Para quê? São todos substituíveis, como os quadros em minhas mansões, quando canso, troco. A diferença é que meus valiosos quadros me dão retorno enquanto esta mísera classe social gera despesa! Por isso não facilito. Dou ordens ao gerente para que sejam desprezados, ignorados, sobrecarregados de trabalho, os faço trabalhar fins-de-semana e assim por diante, afinal, não tenho obrigação de pagar multa para um qualquer que vai gastar no primeiro botequim da esquina o meu suado dinheiro. Tenho muito, mas nem por isso o queimo. Tenho que pensar nos novos carros que comprarei, importados custam muito, mas valem cada centavo. Óbvio, tem que ser importado, pois esta terra não produz nada que valha a pena, País de terceiro mundo que elege um indivíduo de quarto mundo para a presidência, não, literalmente não merece o meu invejável respeito.
Eu sou rico. Não, não canso de repetir. Posso fazer o que eu quiser, onde quiser, no momento em que eu desejar, no lugar que escolher em qualquer parte do mundo e tenho certeza que você morre de inveja da minha condição. Faço tratamentos estéticos caríssimos, das belas unhas dos pés às sedosas pontas do meu maravilhoso cabelo, sou lindo. Faço atividades físicas regularmente, acompanhado de uma personal trainner de gabarito e dieta com um dos mais requisitados especialistas na área. É, sou rico e lindo.
Não sou modesto, já deve ter notado isso, afinal, se está lendo isso, no mínimo você tem acesso a um computador com internet, logo, não deve ser de todo ignorante.  E realmente não vejo motivo para ser.  Caso se ofenda, me processe, tenho vários advogados.
Tempo é dinheiro, então direi “adeus”
Vou viajar o mundo inteiro e visitar alguns museus
Se puder venha comigo, adoro que me acompanhe
Mas serei seu inimigo, se tomar do meu champanhe

“Não sou fútil, apenas tenho uma visão privilegiada da vida”.
Rico

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O CRAQUE

Foi uma infância feliz! Umberto nasceu e cresceu na mesma rua, em um bairro próximo ao cemitério municipal e a três quarteirões de um início de favela chamada Morro dos Macacos. A mais bela praça se estendia por toda a extensão frontal do cemitério e era lá que as crianças do bairro e da favela se juntavam para brincar. A inocência era a base do sorriso, a simplicidade o aconchego de um abraço, apenas crianças, pobres, felizes, sem preocupações e vivendo da forma mais plena a perfeição de uma fase da vida.
“Umberto!”, gritava Júlio. Era o melhor amigo a chamar no portão para mais uma aventura! Quem sabe, talvez, para repetir o feito de construir outro carrinho de rolimã “original”, como daquela vez que usaram cadeira de praia para confeccionar um e, ao testarem, a mesma ficou sem fundo, pois durante o trajeto e atrito com o asfalto o pano dela rasgou levando junto o short de Júlio, deixando a bunda do garoto esfolada e à mostra! Kkkkk! Quanta diversão, quanta alegria, “quanta” tudo! Pois não faltava nada.
Era um grupo grande de crianças. Apesar de a favela possuir apenas alguns poucos barracos derivados de famílias que realmente não possuíam recurso algum de estar em local melhor. Reuniam-se todas as noites para jogar futebol na praça do cemitério. “Umberto!”. Ao sair pela porta para mais um jogo, se Júlio tivesse estampado no rosto o belo sorriso da amizade, Umberto sabia que o amigo tinha algo para compartilhar, biscoito recheado dado pela mãe, talvez?!
Espírito de equipe e união norteavam todos os jogos. Não havia briga, mas o talento de Júlio com a bola era um fenômeno que sempre despertou uma saudável inveja e certa tensão nas pessoas no momento do “dois ou um” para a escolha do jogador, afinal, todos o queriam no time levando a bola no pé como se fosse um chinelo, dando chapéu no adversário como se seus pés fossem mãos! Umberto? Bom, este ia no gol, rs.
Dois ou um! Droga! Quem você quer? Eu escolho O craque. E ia Júlio para o lado que todos almejavam ir a partir de então.
Muitos anos se passaram. A pequena favela já não é tão pequena e não possui apenas famílias sem opção de escolha. O grupo de amigos dispersou, cada um seguiu o caminho que escolheu. Umberto e Júlio ainda moram próximos, mas não se falam mais, pois Júlio o ignora.
Umberto cresceu, comprou uma empresa, depois se formou, escolheu psicologia.
Júlio cresceu, trabalhou vários anos em uma grande empresa, próximo a se formar em farmácia, abandonou tudo e escolheu o craque.
A bela praça, embriagada de maravilhosas lembranças, continua lá! Exaltando o cemitério que um dia testemunhou tudo, vislumbrou um craque e hoje, pelo craque, o aguarda.